Casa própria sem pesadelo
Para garantir a compra segura, mutuário deve prestar atenção e ficar de olho em ofertas de crédito fácil. Orientação é pesquisar empresas e procurar empreendimentos que se enquadram no programa ‘Minha Casa, Minha Vida’
Rio - Interessados em fugir do aluguel devem tomar alguns cuidados básicos para que o sonho da casa própria não vire um pesadelo. Com o crédito farto e o ‘Minha Casa, Minha Vida’, a recomendação é pesquisar as empresas e procurar os empreendimentos, que se enquadram no programa habitacional do governo. Este ano serão construídas quase 1 milhão de unidades no País, com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e da caderneta de poupança.
A principal dica é desconfiar da concessão do financiamento fácil e sem burocracia ou a promessa de que, a suposta carta de crédito, será liberada após o pagamento de algumas parcelas. Isso acontece em algumas empresas que atuam paralelamente no mercado imobiliário.
Conforme a coluna Informe do Dia, de O DIA, publicou na última terça-feira, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 2ª Vara Empresarial, determinou o fechamento da Associação Frutos da Terra Brasil, que prometia a concessão de crédito sem juros para a compra da casa própria.
O programa Minha Casa, Minha Vida cobra juros e beneficia famílias com renda até 10 salários mínimos (R$ 5.100). Melhorconcede subsídios (descontos), que chegam a R$ 23 mil para ajudar os grupos com menor poder aquisitivo — até seis mínimos (R$ 3.060).
Os interessados podem procurar os postos de inscrição das secretarias municipal e estadual de Habitação e os estandes das construtoras, que atuam no segmento. Há oferta de imóveis até R$ 130 mil e prazo de até 30 anos para pagar.
FEIRÕES DE IMÓVEIS
Os feirões de imóveis são outra opção. A Caixa Econômica, pioneira na iniciativa, parte para a 6ª edição. A CHL anuncia um novo feirão dias 26,27 e 28, no estacionamento do shopping Via Parque, na Barra. Serão ofertadas 1.360 unidades, sendo 800 do ‘Minha Casa, Minha Vida’. Os imóveis serão vendidos a partir de R$ 91.800. Os interessados vão comprar a moradia sem entrada e com a primeira parcela para Páscoa. A CHL ainda premia compradores com geladeira, fogão e micro-ondas.
Promessa de comprovar legalidade
Para o presidente da Associação Frutos da Terra Brasil, Carlos Alberto Rotermund, o Ministério Público do Estado do Rio, responsável pela ação que determinou o fechamento da AFTB, não entendeu que o sistema de crédito é diferenciado por ser uma organização social. O que permite oferecer crédito facilitado.
“Temos imunidade tributária, nossos cálculos estão dentro dos padrões legais e vamos comprovar a legalidade de nossas operações”, defendeu Rotermund.
O presidente, contudo, entendeu o trabalho do Ministério Público: “Sabemos que essas ações acontecem por questões de cautela”.
Alternativa que parou na Justiça
Segundo o promotor Julio Machado Teixeira Costa, a Associação Frutos da Terra oferece “Sistema Alternativo de Crédito”, que permitiria adquirir um imóvel por meio de dois sistemas
No primeiro, o consumidor paga durante 30 meses a contribuição associativa equivalente a um milésimo do valor pretendido pelo associado.
No segundo sistema, há antecipação do recebimento da carta de crédito por meio da atribuição de pontuação aos consumidores que, entre outras atividades, indica novos associados, paga mais pela contribuição associativa e busca apoio de empresas.
De acordo com o promotor, o esquema era semelhante ao adotado pelas “pirâmides”. Todos tinham que pagar R$ 50 por mês para, ao fim de 30 meses, conseguirem o financiamento para o imóvel.
Relatório do Banco Central, conforme o Informe do Dia publicou, mostrou que só depois de 14 anos e meio é que a AFTB teria condições de conceder os financiamentos para as primeiras 2 mil pessoas inscritas.
Reportagem de Alessandra Horto e Cristiane Campos
FONTE JORNAL O DIA/RJ
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